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segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tristeza, inspiração e poesia.

 "- Você se sente feliz? Essa, Vinícius, é uma pergunta idiota, mas que eu gostaria que você respondesse.

- Se a felicidade existe, eu só sou feliz enquanto me queimo e quando a pessoa se queima não é feliz. A própria felicidade é dolorosa."
.
Esse texto é um fragmento da famosa entrevista de Vinícius de Moraes com Clarisce Lispector. Ele confirma a conhecida ideia de que a tristeza do poeta é a sua própria poesia, visto que, só há inspiração para escrever quando há sofrimento.
Se lembrarmos então de Drummond - que somado a Clarice e Vinícius, formam o hal de meus escritores favoritos - lembraremos também dos maravilhosos versos iniciais da poema 'Versos à boca da noite':
"Sinto que o tempo sobre mim abate
sua mão pesada. Rugas, dentes, calva...
Uma aceitação maior de tudo,
e o medo de novas descobertas."
.
E o que dizer das dramáticas estrofes de 'O mito' também de Drummond?
 "Quero morrer sufocado,
quero das mortes a hedionda,
quero voltar repelido
pela salsugem do lago,
já sem cabeça e sem perna,
a porta do apartamento,
para feder: de propósito".
.
Haveria escrita mais deprimente e mais suicida?
Não sei!
.
Se buscarmos os escritos de Carisce Lispector encontraremos neles uma das mais puras verdades: "Antes o sofrimento legítimo do que o prazer forçado." E ainda em suas afirmativas, no romance 'A hora da estrela', Clarice revela usar a solidão como força pois, considera-se como o escuro da noite. Um dos mais interessantes pensamentos da autora demonstra toda essa sensação de tristeza:
"Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos." (Clarice Lispector).
.
Neste mesmo raciocínio, Vinícius de Moraes e Tom Jobim escreveram a letra 'Eu não existo sem você', em que afirmaram, sem medo de errar, que "o poeta só é grande se sofrer". E assim, como disse o blogueiro Cod Lanfredi, "Tristeza, quiçá, pode ser um dom em que apenas algumas poucas pessoas conseguem conviver com ele. Entretanto, sabemos que sem tristeza não haveria a poesia. O poeta vive de tristeza. E caindo em um paradoxo. Se alegra ao concretizar seu trabalho, ou pelo menos se orgulha dele."
.
.
 Diante disso, fico a pensar se, talvez, esta minha ausência de inspiração deva-se a uma constante ausência de tristeza em mim. Então, limito-me a viver com intensidade tudo o que não é triste pois, quando a tristeza chegar, quero ter tempo para transformá-la em texto e poesia.
Faço das palavras de um autor desconhecido as minhas:
"Não consigo escrever quando estou feliz, pois a tristeza é minha fonte de inspiração, quando triste, escrevo sobre minhas angústias e isso me alivia... Quando alegre, não penso em outra coisa há não ser em viver cada instante de como se fosse o último..."

5 comentários:

Juliana. disse...

Perfeito Tahiana, como vc escreveu bem este texto, meu Deus, fiquei impressionada, merecia publicação em jornal, algo assim para todos (mais) lerem. Isso é a pura verdade, eu quando estou triste, com saudade, com furor, ignoro a quantidade de linhas e escrevo com intensidade. Isso os poetas e o desconhecido tem toda razão, e as palavras saem como gotas de sentimentos profundos, atingindo e aglomerando até pedaços da alma!
Lindo, lindo!
Um beijo da Ju

Josy Nunes disse...

Tahiana,
é amiga vc definui super bem! Também acho que não existe poesia sem tristeza. Ainda bem que sou feliz e não sou poeta.. rsrsrs..Bjos no coração, Feliz Dia do Amigo e fica com Deus

Josy Nunes disse...

Tahiana,
é amiga vc definui super bem! Também acho que não existe poesia sem tristeza. Ainda bem que sou feliz e não sou poeta.. rsrsrs..Bjos no coração, Feliz Dia do Amigo e fica com Deus

Vera (Deficiente Ciente) disse...

Lindo e verdadeiro esse texto!
Fico feliz que esteja bem e aproveitando todos os instantes de sua vida.
Você escreve bem de qualquer maneira, Tahiana.
Prefiro você nessa alegria intensa, paz interna, bem-estar...Pode existir algo melhor que isso?

Beijos!

Erica Vittorazzi disse...

Que lindo Tahiana!! 'Não tenho para mais anda, ser feliz me consome'.


Sim!!Realmente quando estamos felizes, esquecemos dos nosso mundo interior e queremos exteriorizar tudo, é muito som, é muito sol, é muita festa.
Mas, quando estamos tristes, queremos solidão e entramos em contato com a nossa psiquê, tão deixada de lado. Seria bom que sempre a convidassemos para um chá, em momentos bons e tristes.

Lembro uma vez, ao 17 anos, que fiquei com gânglios no corpo inteiro. (Se raspasse a cabeça, as pessoas veriam uns 30). Os médicos não souberam que eu tinha, entrei as 9 horas da noite em um hospital e só sai as 3 da manhã. Foi o meu primeiro contato com o medo de morrer ou de estar muito doente, e lembro, como se fosse hoje, o contato que tive com o meu interior e com algo maior que nós, que eu chamaria de Deus. E aquele dia me mudou...para sempre.

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