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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O dia-a-dia de uma psicóloga

Trabalhar ouvindo as pessoas... tentando entender comportamentos, sentimentos, emoções, elucubrações. É preciso colher informações do passado e confrotá-las com o presente. Resgatar a expectativa das pessoas...
E assim você ouve um garoto contar que apanhou da mãe com um cabo de vassoura, e ela nega tudo, mesmo diante do braço roxo da criança.
E um menino de 10 anos tenta abusar sexualmente de uma criança de 4, da mesma escola. E você vê a mãe negar que seu filho seja assim, um marginal.
Vê uma garotinha de 5 anos chorar por ter visto o pai morrer queimado no fundo de sua casa.
E vê uma mãe desesperada de uma pré-adolescente com indícios de cleptomania.
Você ouve um homem que foi repentinamente abandonado por sua esposa e, desde então, seu filho encontra-se em depressão.
Escuta uma mulher de 50 anos que está acamada porque seu marido, o único homem de sua vida, está traindo-a  descaradamente com uma mulher que mora em sua rua.
O tempo passa, e em poucos minutos você ouve uma mulher te contar que seus dois filhos adolescentes estão envolvidos com uma quadrilha perigosa da região.
Ouve ainda um jovem entrar em síndrome de pânico porque presenciou sua irmã mais nova em uma crise de drogas ameaçando a própria mãe de morte.
Então você faz uma visita domiciliar e descobre que aquela senhora idosa com cara de vovozinha anda explorando o neto, impedindo-o de ir à escola e agredindo-o verbal e fisicamente.
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E este foi apenas um dia... mais um dia de trabalho, um misto de trabalho comunitário com clínica particular... um dia com problemas de ricos e pobres... mas que não pode ser tratado como um dia qualquer... é preciso equilíbrio, emoção, sensibilidade, compaixão, percepção, tolerância...
E você olha para todos esses problemas... cuida de todos eles com atenção e carinho... mas eles não são os seus problemas... são apenas os problemas dos outros, que você precisa tratar como se fossem seus próprios problemas...
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Quando o fim da semana se aproxima todos esses problemas se acumulam... você já ouviu tantas coisas tensas, dolorosas, desgastantes... mas sempre resta uma coisa ainda mais forte para ouvir, tratar, aconselhar, reforçar, punir, entender, sentir, perceber, confrontar, perceber...
E é impossível tratar essas pessoas sem se envolver... sem sentir o que elas sentem, sem que a nossa alma seja tocada por aquela dor, por aquele medo, por aquela circunstância...
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No fim de cada dia, de cada semana, você sente que aprendeu. Entende que cada pessoa possui uma peculiaridade diferente, que não existe bem e mal, que o mundo não é dos radicais, que a vida é muito mais do que eu tenho vivido em meus poucos 23 anos...

8 comentários:

Juliana Doerner disse...

Fiquei aqui imaginando como deve ser difícil ouvir tudo isso e separar da sua vida, separar do seu emocional, só sendo psicóloga pra conseguir isso. São tantos problemas que antes só via na TV, agora tudo ao vivo e ainda precisando do seu parecer...

Dia de psicóloga não deve ser fácil!!!

Beijos e beijos!!!

Ninaaa . disse...

Eu sempre quis ser psicológa, conhecer a história de pessoas diferentes e poder ajudá-las de algum jeito. Essa é a profissão mais nobre que existe, na minha opinião. E Tahiana, pode ter certeza que até um sorriso sequer de uma dessas pessoas vai te trazer a recompensa. Beijos, flor, e tenha fé em Deus, Ele mais ninguém sabe dos problemas de TODOS.

Isilda disse...

Ser psicólogo é mesmo assim a vida toda.
Se ficaste desgastada só num dia de trabalho,imagina o que é fazer o mesmo durante toda a vida:é de enlouquecer.

Mulher na Polícia disse...

Pois é, amiga.

Curioso notar a semelhança entre a nossa clientela. E torço muito para que você tenha êxito, porque senão vai sobrar mais trabalho pra polícia.

Beijo, menina.

Erica Vittorazzi disse...

Como conheço bem esta rotina.


beijos

Vera (Deficiente Ciente) disse...

Como você disse, para uma profissão como essa, é preciso muita paciência, equilíbrio, tolerância, compaixão, percepção...
Espero que você tenha muito sucesso na sua vida profissional. Ainda bem que você gosta do que faz, isso é muito importante, Tahiana!

Em relação a vereadora Mara Gabrilli, ela conseguiu ser eleita deputada federal. Fiquei feliz porque finalmente teremos um representante em Brasília.

Beijos e uma ótima semana, querida!

Simone disse...

Oi, Tahiana! Respondendo ao comentário que você deixou em meu blog no post sobre idéias para renovar a vida, definitivamente, uma vida sem novidades é uma vida sem emoções!
Seu blog, como sempre, continua o máximo!
Beijos!

Ale Sbano disse...

Admiro muito o seu trabalho,e apesar de ser uma boa ouvinte para meus amigos não sei se eu seria capaz de fazer o trabalho que você parece fazer com tanta força,e não de forma desleixada.
Acho que temos que gostar do que fazemos,e é exatamente por isso que na Biologia não ficarei só no laboratório,mesmo sabendo que é o mais rentável,e farei o que me faz feliz,que é ir na mata,observar as espécies,e me sentir útil ao mundo de alguma forma...como você deve se sentir por ajudar as pessoas.
A faculdade me afasta sempre do blog,mas smepre que posso eu leio..
beijooos

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